RUSHING BEAT, O BRIGA DE RUA OBSCURO DO SUPER NINTENDO.
Para iniciar a
história do jogo de hoje, primeiro precisamos falar da sua extinta produtora, a
JALECO. A Japan Leisure Company foi fundada em 1974 por Yoshiaki Kanazawa, e só
no início dos anos 80 foi renomeada para JALECO que é a abreviação de Japan
Leisure Company. A Jaleco ficou conhecida pelos jogos de Arcade e para consoles
de mesa produzidos na década de 80 e início de 90. A produtora também se
aventurou na produção de gabinetes de arcade para outros desenvolvedores, assim
como produzia aqueles gabinetes de jogos de garra. A sua divisão
norte-americana ficou famosa por lançar alguns títulos de sucesso para o
Nintendinho e Super Nintendo, como R-Type III. Já nos anos 2000 a Jaleco foi
adquirida pela PCCW, que a rebatizou como sua divisão de jogos japonesa, PCCW
Japan, antes de ser revertida e voltar com o nome de Jaleco em 2002. Em 2006, a
Jaleco tornou-se independente da PCCW e renomeada, mais uma vez, agora para
Jaleco Holding. Em 2009 ela foi vendida para a Game Yarou, uma desenvolvedora de
games para celulares, recebendo, novamente, um novo nome: Encom Holdings, porém
em 2014, a Game Yarou, entrou com pedido de falência, fazendo com que a Jaleco
desaparecesse de vez da indústria de videogames.
O JOGO DE BRIGA DE RUA DO BISON
RUSHING BEAT foi a
tentativa da produtora Jaleco de faturar com a febre dos Beat’em Ups dos anos 90,
que são os jogos que ficaram conhecidos no Brasil como Briga de Rua, febre esta
desencadeada por Double Dragon e potencializada por Final Fight e Streets of
Rage. O jogo foi lançado em 1992, originalmente para o Super Famicom, e,
posteriormente recebeu a versão ocidental para o Super Nintendo, onde teve seu
nome alterado para RIVAL TURF. O game
também foi lançado, anos mais tarde, para o Virtual Console da Nintendo.
Dessa forma, quando
muitos discutiam se o rei dos Beat 'em Ups era o Final Fight ou Streets of
Rage, a Jaleco corria por fora e lançava o divertido Rushing Beat, ou como
ficou carinhosamente apelidado por aqueles que tiveram contato com o game na
época: o jogo de Briga de Rua do Bison, graças à semelhança de um dos protagonistas
com o icônico vilão do Street Fighter.
O jogo se passa na
cidade fictícia de “Neo Cisco”, e o enredo gira em torno dos heróis Rick Norton,
um detetive a paisana da polícia de Neo Cisco, e Douglas Bild, um sargento da
mesma força policial, e o detalhe é que a polícia dessa cidade usa um uniforme
de cor vermelha e Douglas Bild é o personagem que carrega semelhanças com o M. Bison, conforme já mencionado.
A história do game, como a maioria dos Briga de Rua, é bem clichê, pois é o tipo de jogo que melhor que um roteiro bem profundo e elaborado é sair metendo a porrada pela rua.Tudo começa quando
Rick Norton está caminhando depois de mais um dia de trabalho e é surpreendido
por um misterioso indivíduo que surge pelas costas e o ameaça apontando uma pistola. Aquele cara diz a Rick que a sua irmã, Maria, foi sequestrada pela gangue
Kings Street, os Reis da Rua, e para resgatá-la, Rick deve levar na manhã do
dia seguinte ao Estádio de Esportes da cidade, uma fita VHS, que Maria havia
lhe entregado, recado dado, aquela figura misteriosa vai embora. Nesse momento,
Rick lembra que a tal fita possui a localização da base de operações da gangue
Reis da Rua, bem como, há provas de que a gangue é responsável por criar o
entorpecente chamado “Jikas” que se espalhou rapidamente pelas ruas de Neo
Cisco, levando aquela cidade à ruína, e recorda, ainda, que a sua irmã desejava
ser promovida a repórter do primeiro escalão, após a divulgação do conteúdo
desta fita. Ora, como detetive da polícia, Rick usaria essa fita para
incriminar e capturar a gangue, porém, agora se encontrava diante de um dilema:
primeiro ele precisaria resgatar a sua irmã, então, até lá, não poderia
divulgar o conteúdo daquele VHS. Ele não podia revelar aquele sequestro aos
demais policiais, pois qualquer movimento brusco poderia resultar a morte de
Maria, então, só havia uma pessoa na qual ele poderia confiar aquele segredo, o
seu amigo e colega de trabalho, sargento da polícia de Neo Cisco: o grandalhão Douglas
Bild, que, após saber do ocorrido, diz que jamais abandonaria o seu amigo,
pedindo para que Rick o leve junto nessa missão.
Na manhã do dia seguinte, a dupla de policiais sai em uma missão elouquecida pelas ruas de Neo Cisco se dirigindo ao Estádio para o encontro marcado, socando criminosos que encontram pelo caminho, depois pegam carona num busão e descem a madeira nos meliantes que surgem ali, eles haviam mexido com a pessoa errada e agora estavam recebendo a retribuição. Após desembarcarem do ônibus, eles cruzam o caminho de Singh, chefe da primeira fase, traficante árabe que trabalha para os Reis da Rua distribuindo a droga Jikas, veste uma roupa de sutão e até usa uma espada, mas não se mostra páreo para Rick e Douglas e rapidamente é nocauteado. A segunda fase mostra os heróis chegando ao Estádio de Esportes da cidade e, como Rick não cumpre a sua parte do acordo levando a fita, a coisa se resolve na base da porrada mesmo, então o jeito é partir pra briga com o chefe da fase Honky, um informante da gangue que, após levar aquela coça, revela a possível localização dos Reis da Rua.
A noite chega e a dupla de heróis se dirige até Skyscraper, a terceira fase, o bairro mais violento daquela cidade, um cenário decadente com muitas casas abandonadas em ruína, muros quebrados e pixados, além da baixa luminosidade a noite, fazendo as ruas e becos escuros locais propícios à prática de crimes, lá eles encontram uma fábrica abandonada e chegando na cobertura daquela indústria, vislumbram uma bela vista da cidade inteira, visão que é admirada por pouco tempo, pois logo são recepcionados pelo ninja T. Omari, o chefe dessa fase é um poderoso membro dos Reis da Rua que informa que o restante da gangue partiu fugindo com Maria para a nova base da gangue, um grande laboratório do outro lado da cidade e acrescenta que eles jamais chegariam até lá pois aquela fábrica abandonada guardaria os seus túmulos. Em sua primeira luta difícil, até então, a dupla derrota o ninja e, logo após, chama o helicóptero da polícia e nele viajam para a outra ponta da cidade, onde aterrissam na quarta fase, uma floresta sombria e, no meio da noite, caminham até chegarem em uma antiga base militar, e lá, após socar e chutar a bunda de vários capangas, encontram um barco atracado na beira de um rio, o laboratório citado por T. Omari estava na outra margem daquele rio, porém, de dentro da embarcação surge o quarto chefe do jogo, Captain, um militar corrupto que não permite a passagem e dos dois policiais. Depois de uma luta frenética, Captain é neutralizado e Rick e Douglas usam o barco para atravessar o rio e chegar ao porto da cidade.
Já do outro lado do
rio, nas docas, após mais um embate contra vários capangas, a dupla de
policiais encontram o escritório do quinto chefe, Karn, um dos cabeças dos Reis da Rua que
também é um lutador de luta livre. Depois de mais um quebra pau daqueles, os
heróis finalmente chegam em seu destino final, a última fase do jogo, o grande laboratório onde os
Reis da Rua sintetizavam o entorpecente Jikas para distribuírem pela cidade
inteira. Ali, os heróis precisam enfrentar uma revanche contra o traficante
árabe Singh, o ninja T. Omari e o lutador de lucha libre, quero dizer, luta
livre, o mexicano, Karn, para então chegarem no confronto final contra o líder dos
Reis da Rua, Kintark, um habilidoso faixa preta em karatê com poderes
sobrenaturais obtidos através de experiências naquele laboratório, que se
revela o indivíduo misterioso que ameaçou Rick na noite passada
e que sequestrou Maria. E, assim, após uma luta épica digna de final de jogo,
Kintark, agonizando, diz a Rick as suas últimas palavras: “Você destruiu a
minha gangue de ponta a ponta, mas você não destruiu a minha vontade, vou
recrutar mais jovens, vou construir uma gangue cada vez mais poderosa, eu
vou...” E, vendo o corpo do vilão sem vida caído ao chão, Rick ironiza: “Eu
acho que ele não construirá mais nada por um tempo.” E assim, Rick e Douglas
conseguem resgatar Maria e é o final feliz, pelo menos por enquanto...
(Fonte: manual do jogo traduzido somado à inspiração do escritor)
ANALISANDO RUSHING BEAT
O jogo possui uma boa
variedade de golpes e mecânicas muito semelhante a dos outros títulos do gênero.
Existem
armas e itens pelo cenário como espadas, facas e tacos de basebol, que te
auxiliam na porrada, e os comandos são clássicos: um botão para pulo, um para
soco, um para corrida e um para o especial, ou golpe de desespero, aquele que
derruba vários inimigos que estão rodeando o personagem, mas que tira um pouco
da barra de vida.
Falando dos
protagonistas, Rick Norton é ágil e seus ataques geram dano moderado, sendo o
personagem mais balanceado e indicado para iniciantes. Já Douglas Bild é lento,
porém seus ataques tiram bastante dano dos inimigos e é indicado aos mais
experientes, lembrando muito o modo de jogar do Mike Haggar de Final Fight.
Uma das poucas
inovações do jogo foi o sistema de raiva, chamado de Ikari Mode, que faz com que os
protagonistas fiquem mais fortes conforme apanham, daí o jogador pode utilizar
uma espécie de golpe especial que consiste em um agarrão mais poderoso que
lança para longe os inimigos, habilidade que pode ser usada pelo tempo em que o
personagem ficar brilhando. O jogo apresenta o mapa da cidade de Neo Cisco onde
são mostradas as seis fases e, além do modo história, o game possui um modo
versus, no estilo Street Fighter.
Rushing Beat é tido
por alguns como uma cópia mal feita de Final Fight, e, apesar de não contar com
a mesma qualidade de seu concorrente direto, na época do seu lançamento, tinha
uma vantagem em relação a ele que fazia com que fosse muito jogado nas
locadoras da época, isso pra quem teve a sorte de conhecer esse título naquele
tempo, essa vantagem era possibilidade de jogarmos com um amigo, já que o port
do Final Fight do Super Nintendo não tinha modo para dois jogadores, fato que
só viria a ser corrigido a partir do Final Fight 2, enquanto que o Rushing Beat
tinha sim um modo coop para dois jogadores disponível no menu do jogo, além do
já citado modo versus.
A jogabilidade de
Rushing Beat é mediana, mesmo assim, jogadores que quiserem experimentar o
título não terão maiores problemas com ele, por que o jogo é bem fácil e não
exige muito dos controles. Já a trilha sonora é simples e modesta, não chegando
a incomodar, porém é daquelas que quando acaba de jogar você nem lembra mais,
quanto aos efeitos sonoros, estes são bem pobres, e, levando em consideração que o
jogo saiu em 1992, poderiam ter caprichado mais nesses detalhes. Os gráficos
são razoáveis, ou seja, em resumo, Rushing Beat não é nenhum jogão, mas pra
quem curte o gênero Briga de Rua, vale a pena conhecer, mas sem grandes
expectativas.
Agora vamos a uma
questão levantada no início desse vídeo, a série sofreu um dos piores trabalhos
de localização já feitos na história dos videogames, a versão americana foi
intitulada de RIVAL TURF, sofrendo modificações bizarras nos gráficos de magias,
nos nomes de personagens, Rick Norton tornou-se Jack Flak e Douglas Bild mudou
para Oozie Nelson, a cidade fictícia de Neo Cisco agora é a
cidade real de Los Angeles dos Estados Unidos da América, as telas que contam a
história do jogo foram removidas e o final do jogo foi encurtado. Quando cada
personagem é derrotado, a versão japonesa substitui seu ícone pela palavra
japonesa para morte (死),
enquanto a versão norte-americana mostra simplesmente um "X". Outro
recurso exclusivo da versão japonesa é a capacidade de alterar o número de
vidas e continues no menu opções.
E, como se tudo isso não bastasse, ainda alteraram drásticamente a arte da capa do jogo, colocando dois moleques usando as roupas dos personagens do jogo.
RUSHING BEAT 2?
Todas essas mudanças negativas não fizeram o jogo brilhar no ocidente, porém a versão japonesa, mesmo não sendo nenhum jogo grandioso, fez sucesso suficiente para a Jaleco apostar suas fichas em uma sequência, chamada de Rushing Beat Ran, esse sim com uma grande melhoria nos gráficos, sons, trilha sonora e jogabilidade, incluindo um número maior de personagens selecionáveis e é o meu preferido da série, inclusive, só conheci o primeiro título porque fiquei curioso e anos depois procurei para jogá-lo, pois o que joguei de verdade na infância foi o segundo, mas não vá pensando que o segundo foi menos polêmico que o primeiro, os problemas de localização e mudança de nomes persistiram, mas este é assunto para um próximo post. Se o canal Estação Game no youtube chegar a 10 mil inscritos eu faço uma análise completa do segundo jogo, o Rushing Beat Ran, que na minha opinião esse sim é uma opção tão boa de beat’em up, quanto Final Fight e Streets of Rage! Então ajude o canal, compatilhando este post do blog e também o vídeo que está no início do texto. E não deixe de assistir o vídeo, onde trago tudo detalhado com imagens de gameplay e trilha sonora do jogo. Para encerrar, deixo aqui a tela de personagens da continuação o Rushing Beat Ran que tem o retorno de Rick Norton e Douglas Bild e adiciona outros três personagens. Até a próxima! #partiuborajogar




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